28 novembro 2008

Por quem eu ainda rezo...

Eu tive um amigo...Sim. Eu tive e se chamava Antônio Ladislau.

Ele não está mais aqui no plano físico, acho que porque não combinava muito com ele, um sonhador, um otimista nato, não poderia viver aqui nessa terra de desilusões e caos.

Essas divindades em forma de humanos passam rápido pela gente, as vezes só para nos mostrar coisas que a ignorância faz cegar.

O Ladis era o tipo de pessoa que não se deixava abater, que sempre tirava uma palavra de conforto e de esperança do bolso: - É só dar um passinho pro lado que bola vem no seu pé! - Dizia ele sempre que algo dava errado.

E assim, dia após dia ele foi me conquistando, aquele que já tinha sido o maior estranho do mundo na minha (idiota) concepção, agora era minha pilastra, naqueles dias de incerteza, de dor, de descoberta. Dias que não vão voltar, longe de casa, da família, passando por enormes dificuldades, inclusive a FOME...


A fome veio rápida, não deu tempo dá gente se defender, quando vimos, eu e Ladis estavámos a mercer da solidariedade alheia e essa não faltou. Ainda existem pessoas muito boas, sim, elas existem!

Eu com essa cara lavada fui me esgueirando e conseguia aos pouscos me safar daquela figura feia e mal amada que a fome me representava. O Ladis não conseguiu...

Eu fui embora quando a maré baixou, quando deu a minha hora.Peguei minhas coisas (poucas que sobraram) e voltei pra minha terra. O Ladis ficou...

Cheguei em casa, como foi bom ter meu canto, rever os meus, as pessoas que realmente amo, tê-las comigo de uma maneira intensa. O Ladis não tinha ninguém...


Dois anos sem notícias, não conseguimos mais contato, eu sempre com o coração pequeno quando me lembrava da vida e da dificuldade que passamos por lá. O Ladis não fez mais contato...

Me lembro de estar dentro do onibus a caminho do aeroporto e olhei pela janela, ele havia acordado cedo pra me acompanhar até o ponto de onibus, havia feito um café da manhã maravilhoso como sempre, nunca vou me esquecer daquele rosto alegre, que com certeza sentia muito a minha partida, porém não deixava isso transparecer...Ele era um anjo!

Hoje sei que ele está descansando dessa vida amarga e muitas vezes ingrata, alguém como ele, com aquela alma de artista jamais se adaptaria ao capitalismo, e a brutalidade da arte moderna, ele era suave e inocente! Antônio Ladislau, morreu como indigente esse artista fora do seu tempo!





p.s.: como vocês perceberam, eu ainda tô deprê ...


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Um comentário:

Giuliano disse...

ele agora olha por vc lá de cima!

bjos, te amo!

Baú da Magô