26 março 2009

A herança do consumismo!



Celebramos hoje o direito a vida, porém ressalta-se principalmente a liberdade de viver ao seu modo, com seus direitos conquistados e regulamentados. Mas será que somos livres mesmo?
Você consegue imaginar sua vida sem a internet? Faz quanto tempo que não compra um sêlo? Tem quantos amigos "virtuais"? Quando você era criança a palavra deletar era comum no seu vocabulário?

Creio que suas respostas sejam parecidas com as minhas, não somos pessoas com uma idade considerável, porém já sentimos o processo revolucionário da tecnologia. E ela, a tecnologia trouxe além das maravilhas modernas e a praticidade de ser moderno, trouxe-nos algo que já era nosso porém não desenvolvido, o hábito de adquirir coisas descartáveis.

Lembro-me da primeira tv a cores que meu pai comprou, quando ela tinha algum problema vinha logo Seu João mexer com os fiozinhos e zaz! Arrumava a tv. Esse simpático senhor trabalhava em uma das profissões que está a beira da extinção, o "arruma tudo".

Antes as coisas duravam uma vida, sim, uns vinte anos, (alias aquela tv a cores ainda funciona e está melhor que muita tela plana por aí) era muito díficil se desfazer de um utensílio doméstico para adquirir outro sem antes tentar consertá-lo. Percebi que as coisas estão mudando, contudo perigosamente para pior. O lixo hoje, é o lixo mais reaproveitável de todos os tempos, tudo pode ser reclicado, inclusive as pessoas e seus conceitos sobre o consumo.

O consumo é o maior vilão dos males do mundo, movimentamos todo o dinheiro que há por aí, comprando e vendendo coisas, quanto mais temos, mais lixo produzimos. Muitas vezes nos desfazemos de coisas que mal usamos, compramos e jogamos no armário, perdemos por falta de cuidado, acontece um descaso mostrando que aquele bem adquirido não era de grande importância, fora as coisas que jogamos da geladeira direto para o lixo, isso é tão comum, jogar comida fora, restaurantes e supermercados se livram todos os dias de toneladas de alimento que poderiam servir como refeição de famílias inteiras, nós mesmos quando jogamos os "restos" fora não pensamos quantas pessoas morrem por dia de fome. Não só na África, digo ali naquele bairro próximo ou debaixo daquela ponte perto da sua humilde residência. Quantas pessoas não tem absolutamente nada para se desfazer!

Ah a liberdade! Sim, uma palavra que pensamos ter e usufluir dela, mas numa sociedade consumista como a nossa, é possível viver com apenas um par de sapatos,? Dois pares de roupa,? Sem carro,? Sem vícios? É possível?

É possível não sermos nós os presos e quem não tem nada os libertos?

Vítimas do nosso sistema econônimo que enfatiza a ganância e a busca por um capital cada vez mais saliente.
Consumimos, compramos e desfazemos num ciclo desenfreado, alucinado, movido pelas campanhas publicitárias e o imenso vazio existencial. Nos esquecemos que por mais que doemos cestas básicas no final de ano, por mais que compremos brinquedos para crianças carentes no natal, ainda estamos nesse ciclo de "muito consumo por nada.

Acredito ( e talvez isso que me dê motivação para acordar todos os dias) que ainda tem jeito, o consumidor consciente será o fruto de uma necessidade imediata de mudança, a máquina do capetalismo não pode parar, o mundo não pode quebrar, mas você pode escolher fazer parte disso com dignidade ou botar tua alma a venda num leilão pela internet, isso é bem simples, tudo é resumido em uma canção do Tim Maia "lendo eu aprendi o bom senso". Leia, se informe, questione.

Antes comprar tente pensar, será que é disso que eu necessito?

Antes de comer pense, de onde vem?

E quem teve que pagar pela minha gula?


Além dos animais inocentes que são colocados a nossa disposição por pura arrongância humana de se achar no topo de tudo, temos nossos próprios semelhantes humanos que são tratados como máquinas servindo de escravos trabalhando nas fábricas chinesas ( entre outros cantos do mundo, inclusive aqui no Brasil) montando o próximo celular ultra high tech que você vai comprar quando se cansar do seu.


A guerra civil no Congo, a fome nos países de terceiro mundo, o terrorismo mundial, a crise ecônomica, tudo está interligado no dinheiro que você deposita por aí sem pensar... Aproveite o ano novo e seja novo, pense novo e toda vez que for comprar alguma coisa tente usar isso que está dentro da sua caixa craniana, chamada cérebro, acredite ele ainda funciona!



... Magô em dias de revolta contra seu próprio consumismo!
p.s: esse texto foi escrito em dezembro de 2008, mas ainda me sinto exatamente igual, porquê?

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