12 julho 2011

A forma da formiga!

Dividindo um devaneio que me passou ontem a noite pela cabeça e escrevi de madrugada:

A Forma da formiga!


A ideia era tão simples, bastava apenas colocar num lugar condicionado as formigas e a partir dali elas iriam se comportar como sociedade, independente de onde fossem colocadas. O padrão de comportamento delas seria sempre o mesmo e após colocá-las naquela estrutura não se teria mais controle nenhum sobre elas, pois estariam vivendo e desenvolvendo suas vidinhas como se nada externo tivesse influenciando-as... Talvez uma que se comportasse de forma nociva às demais, poderia sofrer uma punição, sendo removida ou mesmo aniquilada daquela sociedade. Porém formigas são pacíficas, não se espera delas nenhum ato de violência mesmo em um ambiente artificial, as formigas sequer notariam que estão sendo observadas e estudadas o tempo todo, elas só seguiriam sua rotina.

Paradoxalmente vivemos numa fazenda de pessoas, em uma estrutura virtual feita para que acreditemos estar seguindo nossas vidas, nos comunicando com outros seres humanos, fazendo conexões, criando axiomas, verdades absolutas que só fazem sentido online, nosso comportamento padrão: entretenimento com o próprio tédio. Gastamos horas e mais horas do nosso dia produzindo conteúdo para as redes sociais, numa espécie de cooperativismo, justificamos esta interatividade em uma simples palavra, conexão. Pensamos estar conectados aos demais, interagindo em rede. Dividimos sentimentos, perdas e ganhos, amores e desejos, dores e doenças, dividimos tudo, como numa sociedade. Marcamos encontros, desmarcamos. Acendemos velas, rezamos novenas, organizamos festas, marchas, viagens, brigas, tudo em rede, tudo na estrutura que fizeram para nós. E como formigas seguimos nossas rotinas, sem nunca nos questionarmos o motivo de tanta informação desnecessária.

Neste passatempo que nos mata o tempo, que nos dá uma sensação de coletivo, que preenche o vazio existencial, esta conexão que se dá nesta fazenda virtual talvez seja a  representação mais clara de como vivemos socialmente. Na ânsia de ter mais amigos, de curtir tudo que lhe é apresentado, de estar antenado às revoluções digitais, de estar sempre por dentro de todos os assuntos sem nenhum tipo de filtro, esta avalanche de sensações nos torna obsoletos em segundos, como efeito de droga precisamos sempre atualizar para ver se existe alguma interação que possa ter sido negligenciada, somos viciados em atenção e nos isolamos para ter mais tempo em cultivar o pedantismo em grupo.

As pessoas, diferente das formigas, interagem numa realidade paralela, os sentidos físicos são substituídos por caracteres e isso não é um problema se você sabe que a realidade é diferente. A realidade não é aquela de ter seiscentos e setenta e dois amigos, de ter cinco mil seguidores, de ter um sentido na sua vida medíocre que se resume em ver quantas menções existem ao seu insignificante nome, de quanto você é popular e ter seus links curtidos na sociedade virtual, de quantas pessoas que você nunca ouviu falar te adicionaram. Se souber diferenciar a vida   real do universo encantado virtual, tudo bem, você pode ter um milhão de amigos e bem mais forte poder cantar... Mas quem tem um milhão de amigos? Amigos não são números!

A ideia era simples, bastava alguém concebê-la, era só colocá-las juntas e fariam todo o resto, se ocupariam com o vazio.

Somos geradores de conteúdo, não somos mais artistas!

Contudo não há o que reclamar nunca tive tantos amigos, tenho um número suficiente de seguidores, podendo eu criar uma seita, religião ou algo parecido. Tenho um blog, um site, um perfil. Tenho um endereço de correspondência online, já sou arroba!

A ideia era simples, uma fazenda de formigas para entreter alguém consumido pelo tédio e assim o tédio iria entreter todo o resto!

Magô Pool tem 419 amigos e 111 seguidores (ela está fazendo sua parte no formigueiro, mas ainda dorme sozinha)


LONGA VIDA FORMIGUINHAS . . . .

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