23 janeiro 2012

Esquecemos de quem somos e então já não somos mais nada!

Eu devo dizer que a princípio não iria comentar , nem aproveitar a onda socialista e solidária que vem acontecendo com relação a desocupação de um bairro chamado Pinheirinho na cidade de São José dos Campos, onde eu nasci, cresci e atualmente vivo. Contudo, acho que um artista que não se manifesta quando surge um impasse social tão grande, no mínimo já deve estar morto, o que não é o meu caso, que acredito ainda ter sangue correndo nas minhas veias. 

Não estou aqui para dizer o que é certo nem o que é errado, esse discurso moral embasado em leis e conceitos não é a questão que me faz refletir. Tenho lido, assistido e vivido muita coisa por esses dias, tentei ter uma opinião imparcial da mídia que faz seu papel sensacionalista por vezes e ostenta uma postura tendenciosa. Não sou anti mídia e nem este o foco do texto, alias todos deveriam tirar suas próprias conclusões, independente do que divulgam por aí, pensar por si mesmo é o primeiro passo para a saída da caverna. 

Mas não é a mídia que me chateia, ela faz a parte dela, o que realmente me tira a paz é a distância que as pessoas tratam o assunto, principalmente aquelas que direcionam seu discurso para "eles não deveriam ter invadido um terreno que não era deles" ou "tem muito vagabundo morando de graça naquela área" essa dualidade do mérito que reina no julgamento dos semelhantes, esse ar pedante que recheia as sentenças que sempre condenam o outro sem ao menos um direito a defesa, todo esse descaso me assusta e me faz pensar que não somos mais humanos, somos um amontoado de coisas, mas a humanidade está em extinção.

As questões sociais estão evidentes, é nítido que neste caso específico a desocupação já era assunto encerrado, tratava-se só de regulamentação e legalização do terreno, afinal eram 8 anos morando em um local que antes de ser invadido já estava inadimplente com os impostos. Entretanto não foi esse o desfecho e fez-se o caos.

Engraçado que agora está um tribunal online, onde as pessoas julgam, sentenciam e condenam a partir das suas próprias teses de defesa e acusação, esse ativismo online e os milhões de Cyber-sociólogos que surgem quando um assunto desses vira trending topics, concluem minha reflexão sobre o assunto e aproveito para citar José Saramago que brilhantemente nos brinda com um convite ao pensamento:

"SE PUDERES OLHAR, VÊ. SE PODES VER, REPARA.
Retrato do desmoronar completo da sociedade causado pela cegueira que aos poucos assola o mundo, reduzindo-o ao obscurantismo de meros seres extasiados na busca incessante pelo poder. Crítica pura às facetas básicas da natureza humana encarada como uma crise epidémica. Mais do que olhar, importa reparar no outro. Só dessa forma o homem se humaniza novamente. Caso contrário, continuará uma máquina insensível que observa passivamente o desabar de tudo à sua volta."


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