22 março 2012

A voz e a vez do gato morto!


Outro dia vi uma entrevista com o jornalista Alberto Dines que no auge dos seus 60 anos de profissão ( e com muito conhecimento de causa) disparava para quem quisesse ouvir sobre a decadência do jornalismo moderno que se misturava a entretenimento casual. No decorrer desta semana aproveitei a deixa e comecei a ler um livro chamado Filosofia da Arte do autor Huberto Rohden, para embasar minha tese de conclusão de curso, mas ao mesmo tempo para compor o pensamento iniciado por Dines sobre genialidade e talento, visão e ação e responsabilidade de conteúdo. Devo dizer que após analise dos argumentos e observação crítica, cheguei a algumas conclusões!

Para ilustrar esse pensamento vou contar a parábola do gato morto, as parábolas são formas eficientes de se mandar uma mensagem para compreensão coletiva, tanto é que segundo a bíblia, o próprio Jesus Cristo utilizava-se delas para exemplificar suas doutrinas.

Pois bem, havia um gato deitado, inanimado em um canto de uma casa. A mulher, mãe e dona da casa, chega vê a cena,  grita e diz: - Olhem, tem um gato morto aqui na nossa casa! - Mais tarde o marido chega e a mulher antes que ele mesmo veja com seus próprios olhos já lhe anuncia o ocorrido, e assim ela espalha a morte do felino para toda a família. As três horas da tarde, decidem em família, enterrar o pobre do gato. O evento aconteceria ali mesmo,no quintal da casa, amigos e famíliares (não os do gato) estavam convidados para prestar a última homenagem.

- Ele foi um gato incrível... - Uma vizinha lamenta.
- Deve ter sido envenenado! - Disse a mulher dona da casa para os parentes mais próximos.

E assim seguiam para o canto da casa onde repousava o corpo do gatinho. Crianças carregavam velas e a mãe fazia questão de usar preto para salientar a dor da perda. Quando chegaram perto, cuidadosamente o pai se abaixa e pega o gato para cerimônia funebre. Mal toca no bichano quando o mesmo se assusta e dá um salto em direção a multidão que corre para os lados, julgando ser aquilo um ato sobrenatural. 

- Ah meu Deus, é um milagre! O gato ressuscitou... - Berra a mulher fazendo o sinal da cruz. Em seguida todos repetem o sinal, reconhecendo ali um milagre divino. 

Pessoas se aglomeram no portão, enquanto a mulher dona da casa narra em voz alta o acontecimento! Muitos começam a ver coisas e imediatamente aquele fato se torno um onisciente coletivo.

Um homem que passava por ali e acompanhou todo o evento, ao ouvir toda a comoção das pessoas e o alarde da mulher, pega suas coisas vira as costas e sai. Já no portão da casa ele é abordado por um outro morador da rua que lhe pergunta:

- Você vai embora assim? Mesmo sendo testemunha ocular de um milagre vai embora como se isso não fosse nada, como se apenas fosse um acontecimento corriqueiro?

O homem olha em volta e sai pelo portão, então vira-se e diz para o outro homem que lhe indagava:

- O gato nunca esteve morto, ele estava apenas tirando um cochilo!

Vê que a atual imprensa e a mídia em sua maioria está anunciando o gato morto para todos, são poucos como Dines que ainda tem lucidez para ver que é era apenas um cochilo e nada de mais...

Hoje pela manhã vendo programas ditos de dona de casa, tive a certeza de estar sendo abordada pela mulher que berra aos quatro cantos que o gato está morto. As notícias passadas são misturadas as receitas de bolo e o perigo mora exatamente aí. Os programas de massa não possuem qualquer tipo de filtro, apenas vomitam a notícia. Claro, que se for conveniente mostrar, caso não seja é totalmente ignorado.

A censura ainda existe e se mostra em cifrões, quem paga mais publica o que quiser ou mesmo esconde o que quiser. Um individuo comunicador dentro da imprensa moderna não tem liberdade para dizer que o gato está tirando um cochilo se este for decidido antes pelo patrocinador que está morto!

Não será publicado a foto do trabalhador assassinato pelo playboy filho de empresário (o mais rico do Brasil), ao invés disso mostramos o ferimento superficial no braço do garoto para ilustrar que ele também sofreu. A apresentadora diz que não podemos julgar o pobre garoto pelo assassinato do trabalhador, pois cabe somente a justiça julgá-lo, será?

Ano passado neste mesma época um jovem entrou na escola e matou várias pessoas, dentre elas crianças. Todos o julgaram, mesmo depois de morto, pois ele teria se matado no mesmo dia (o que ainda não se tem certeza). Inclusive a apresentadora que diz que a justiça deveria julgar e não a mídia, foi a primeira a jogar pedras no jovem que cometeu os assassinatos. Pois bem, agora é conveniente mudar as ordens das coisas. Não estou defendendo ninguém, pelo contrário, quero mais que as pessoas paguem pelo que elas devem, mas não sou eu, uma pobre cartunista que tem o poder sentencial sobre essas pessoas, muitos menos o Datena, o Bozo ou qualquer outro palhaço que se intitule comunicador ou mesmo jornalista.

O gato estava só cochilando, gente! Não se esqueçam, disso...

FIM



3 comentários:

Allison Gui disse...

Bem assim mesmo Go.

Rodrigo disse...

Enquanto a a "conveniência" e o $$ ficar em primeiro plano na mídia de massa, será sempre assim...TV, radio e certos Jornais são para quem tem visão crítica, caso contrário a pessoa é levada pela enxurrada de informações manipuladas. Adorei o blog. Bju

Juliano disse...

Hello Lindona...

A imprensa escrita, televisiva e radiofônica está realmente em queda livre...Salve Dines!

Você é incrivel...

Adoro-te

Beijos

Juliano

Baú da Magô