03 abril 2012

l'absence...

Como começar um texto falando de algo tão íntimo e particular? Mais que isso, porquê dividir algo tão íntimo e particular com estranhos?

Não sei...Talvez seja esse o mesmo impulso que leva alguém a escrever poesia, afinal poesias são íntimas e particulares...

Eu convivi com um poeta por longos anos da minha vida. Eu era sua expectadora, sua fã, aquela que ele ligava para ler uma poesia assim que finalizava...Eu era sua filha!

Saudade! Que palavra engraçada essa que só tem em um idioma, será que ela só existe aqui? Será que as pessoas do mundo não sabem o que significa "saudade" e por isso essa estranha palavra só tenha real sentido na nossa língua?

Acredito que não, é provável que nós não saibamos lidar com este espaço físico e emocional que a ausência proporciona...Pior que isso é a dor da separação tanto física quanto espiritual...Não sabemos lidar com tudo isso e intitulamos de saudade!

E justo eu que não acredito em espírito, em dias como esse fico pensando aonde é que ele está...Se decompondo embaixo da terra?

Sim...Mas ele era tão grandioso que pode estar em algum lugar do espaço? É uma possibilidade... Além do fato de habitar no meu coração e na minha vida, a gente não encerra ciclos tão fantásticos apenas com um óbito...É preciso mais que a morte para separar ideias e idealismos! Ideias não morrem...

O fato é que a ausência é o pior castigo, ter que conviver com a ausência é sufocante, é aterrorizante, é desumano. Não fomos programados para conviver com a ausência! Simplesmente esta é nos imposta em algum momento das nossas vidas, e não necessariamente é a morte que nos traz essa ausência. Talvez a morte seja o ápice da ausência, mas ela se faz presente também em doses pequenas, seja um amigo que não está mais perto, um irmão que casou e foi morar em outra cidade, ou alguém que você ame que mora do outro lado do mundo...

Ausência, eis a questão que navalha a alma!

E eu que não acredito em alma, o que faço? Penso que nada faz sentido e que isso tudo, essa questão de vida, de morte, de passagem, que tudo isso é um equilíbrio desconhecido? Ou penso que é uma linha que tem começo, meio e fim?

Se for isso, eu estou em que parte desta linha?

Mas eu não quero filosofar sobre existência, não! Nem quero ser mórbida...

Hoje eu celebro a ausência...Só dela que me ocupo em pensar e sentir. E é pra ausência que dedico este texto, texto este tão sem acabamento, sem cabimento, sem consciência.

É um desabafo, uma queixa, um lamento...

Eu queria estar ocupada em fazer um bolo e comprar velas, talvez bexigas coloridas e um cartão cheio de amor e desejos de mais vida e felicidade pra ele...

Infelizmente não posso mais, então melhor entender a ausência, absorver sua extensão e acreditar (por mais difícil que seja) que existe sentido nessa dor que se sente quando não tem mais norte!

Já nem é mais saudade o que eu sinto, agora eu sou só um buraco no peito chamado de ausência!

Não esqueça que eu te amo, Feliz 69 anos!


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Um comentário:

Zé Luiz Sykacz disse...

Me emocionei.

Feliz aniversário, poeta.

Baú da Magô