04 abril 2012

Todo mundo merece um Zé na vida!

Oinnn...

Eu adoro os meus amigos, isso é fato! Tenho a sorte, o privilégio ou o que você quiser chamar de ter os melhores amigos do mundo...

Dentre eles existem os artistas, aqueles seres iluminados que fazem a vidinha da gente um pouco melhor. Faz muito tempo que sou frequentadora assidua do blog do José Luíz Sykacz, ou do carinhosamente falando, Zé, que escreve crônicas fodásticas, um talento tupiniquim (esse blog aqui ó http://pois-ze.blogspot.com/)

Dae eu pedi (quase ordenei) que ele por amor fizesse uma crônica para esta que vos escreve, em troca ele teria direitos vitalícios de pedir ilustrações e cartuns para mim :P

Dito e feito...Ele fez! E o resultado não poderia ser melhor...Uma crônica linda sobre a minha profissão!

Compartilharei aqui a crônica do meu amado Zé feita sob encomenda!



Enjoy!




A cartunista

A caneta, depois de tanto tempo de riscos e rabiscos, virou uma extensão do próprio corpo. Na madrugada tranquila, marcada pela insônia, a tinta preta preenche o papel segundo as suas vontades e caprichos, embora seu pensamento naquele instante específico seja vago. Desenha por desenhar, sem um objetivo que não seja o de vencer os minutos até o sono voltar.

Aos poucos, o traço cuidadoso vai dando forma a uma menina simpática, de aparência frágil e sorridente, feita apenas de preto e branco, tinta e papel.

Pensou numa história. Num sentido que justificaria a existência daquela personagem. Seus pensamentos, virtudes, anseios... Afinal de contas, todo ser, mesmo que estampado num papel, precisa fazer um sentido mínimo no universo. Precisa saber a deixa para entrar em cena na hora certa, nem que sua missão se resuma a ser o punchline de uma boa piada.

Era um Deus diante de sua criação, e por mais que a ideia de um ser superior não lhe parecesse provável, sentiu-se por um instante com o poder de escolha sobre o destino daquela criatura nascida de tinta e tédio.

Ficaram ali, se encarando, trocando olhares vagos e vazios à espera de um desfecho, de uma diretriz.

Pegou um cigarro, e pensou na vida. Buscou em si mesma algum parâmetro que pudesse usar para encaixar na menina simpática, que continuava a observando impávida. Teria ela uma vontade própria? Será que por trás do sorriso que tinha estampado em seu rosto vivia alguém triste? Será que temia por seu próprio destino, com receio de ser amassada e jogada na lixeira?

O silêncio da madrugada quase a fez adormecer sobre a prancheta. O sono tinha voltado, e trazido de arrasto o insight que precisava...

 Antes de guardar o desenho cuidadosamente numa gaveta e voltar pra cama, com a mesma caneta preta que tinha dado forma a sua criação, rabiscou no topo de sua cabeça:

“És livre”.

Sua missão estava cumprida.

Um comentário:

Zé Luiz Sykacz disse...

Hihihi... Sempre fico tímido quando me elogiam muito.

Mas pode continuar, vai... Tá divertido! Hahahahaha

Pois então... Desculpe a demora em escrever a croniqueta, mas fico realmente contente que vc tenha curtido. Foi de coração, pode apostar.

E muito obrigado pela lindas palavras. Tô longe de ser "um artista", ou mesmo "um talento", mas fiquei super evaidecido mesmo assim.

Beijão, amada!

Baú da Magô