21 fevereiro 2013

Quando você percebe que não sabe nada!

Estou há muito tempo sem escrever no blog, ando atarefada com todas as outras coisas e esqueço desse meu mundinho onde guardo meus absurdos e tento desabafar sobre meus devaneios e ansiedades.

Claro, meu blog não é um blog profissional, onde você vai aprender coisas, ter receitas, dicas de maquiagem, saber como eu me visto... Não. Aqui eu me desnudo em sentimentos, em desenhos, em pensamentos mal criados e não necessariamente corretos, engano de quem ler qualquer coisa aqui e achar que vai encontrar algum tipo de solução ou inspiração, infelizmente é apenas um ser humano escrevendo em uma plataforma digital, acreditando compartilhar suas incertezas mais profundas na esperança de ser compreendido, ou não, apenas desabafando!

Este ano eu irei completar 30 anos e sinceramente não acredito na minha idade, pois eu só faço merda e ainda sim, batendo na casa dos 30 parece que as merdas vão ficando maiores e colossais, daquelas que usam cores vibrantes e maquiagem de neon, sim. Minhas merdas são fashion, gostam de fazer notar-se e eu só contribuo para isso.

Engraçado que cada dia mais eu venho trabalhando sentimentos nobres em mim, como paciência, esperança, fé, entre outras coisas necessárias para motivação humana, contudo perante as minhas atitudes, esses sentimentos nobres que eu penso cultivar em mim caem por terra, afinal boas intenções não servem para nada, só para encher seu ego de falsa solidariedade!

E na esperança de ser alguém melhor, eu acabo sendo uma pessoa bem diferente daquilo que eu planejei, ainda mais quando os excessos me governam, eu sou excessivamente nociva (e digo isso pra mim mesma, sou auto sabotadora de mim), falo demais, bebo demais, fumo demais, e esse demais cansa! Estou cansada de ficar saindo pelas beiradas e olha que nem estou falando dos quilos a mais que me perseguem, não, deles eu até já abri mão da crítica, os excessos que me refiro são da vida e das escolhas que fiz e faço...

- Você não é mais uma criança!

Escuto isso com a normalidade de quem escuta uma canção do BeeGees, é ruim, mas é bom! Sei que não sou tão madura quanto eu deveria, mas quem se importa? Eu estou sendo fiel ao que eu julgo ser minha essência e mesmo chegando o momento de ser uma Balzaquiana, ainda sim eu me sinto inconsequente e livre como eu era aos 19 anos.

Era tão bom quando a minha maior preocupação era não ser a ultima escolhida nas brincadeiras de rua, tipo queimada, taco, futebol, ou tirar notas baixas nas provas sobre Capitanias Hereditárias... As coisas são bem diferentes agora, minhas preocupações são monstros verdes com olhos esbugalhados me encarando todos os dias e tocando o terror na minha vida.  Eu me preocupo com contas que estão vencendo, o banco que está ligando, a geladeira que parou de funcionar, o gato que não aprende a cagar na areia, as ex namoradas que meu namorado nem teve e toda essa dinâmica do "se relacionar", me precupo com os amigos que moram longe, em perder pessoas que eu amo, as brincadeiras idiotas que eu faço e repercussão que elas tem, pessoas que a gente magoa no caminho, eu me preocupo com as bebedeiras, as ressacas, as brigas desnecessárias, os meus peitos que caem porque a gravidade é uma bitch! ...Ah, tudo é tão mais complicadamente chato que não vale a pena nem ser listado!

Crescer é um ofício caótico! Nem sempre se está pronto para abrir a Caixa de Pandora!

A dona de todos os males do mundo!

De repente eu percebi que tinha aberto a maldita da caixa e depois disso era apenas aguardar pelo muro das lamentações que se levantaria bem diante dos meus olhos. Hoje em dia todo mundo diz o que pensa, fala mais do que deveria e bem mais que o seu português ruim mereceria, afinal estamos todos cercados pela máscara virtual, por isso é fácil condenar e ser condenado, ninguém se importa com quem está do outro lado do computador, é um exercício do marasmo, um descaso com o bom senso.

Antes, confesso que eu era bem talentosa no quesito críticas. Sabia lidar bem com elas, não levava pra dentro de casa e achava que todos estavam errados e só eu era a certa. Mas daí vem a tal da maturidade e com ela o "semancol" e você vai percebendo que não sabe absolutamente nada e que as pessoas criticam em você e você critica nelas, geralmente o que lhe mais encanta. Esse entusiasmo de viver sempre me tornou uma errante, peco por não administrar toda essa necessidade de viver o agora, atropelando os sentidos e sendo uma completa idiota sentimental, contudo eu ainda sim tenho orgulho de ser real em um mundo governado por fakes, faces entre outros analgésicos da alma!

Pra abrir a caixa de Pandora, você tem que ter em mente que tudo que você sabia sobre você mesma será posto em prova, e aquela ideia romântica idealista de que você é forte, determinada e não se importa com o que os outros pensam, é sem dúvidas uma grande balela! Somos sim afetados e afetamos todo ambiente em volta, é assim que interagimos com o mundo, causando reações, quando se tem atitude é normal que suas ações gerem pequenos tsunamis sociais e que você cause estragos, mas como evitar a turbulência? Se ausentando da difícil tarefa de ser você mesmo, aquele ser pensante e errante que sofre tentando acertar?

Mesmo chegando aos 30 anos eu posso afirmar que não sei porra nenhuma da vida, pensava que sabia, mas a cada dia vejo que estou longe de qualquer nuvem de ideia... Aparentemente sou uma aprendiz, que administra a vida da maneira que me convém, com toda a minha inexperiência de ser uma pessoa coesa e quadrada... Não consigo, esta não seria eu!

Fora isso, eu acerto bastante também, acerto quando digo não as pessoas maldosas que investem em fofoca e balburdia, acerto quando me afasto de excessos, acerto quando escolho Beatles para começar o dia, acerto quando opto por abrir mão de um prazer pessoal em nome de uma causa maior, acerto quando eu erro por amor!

Termino esse texto corrido, longo e cheio de nuances citando o Sr. Sofrimento, o mestre Arthur Schopenhauer que diz:

"O amor é o objetivo último de quase toda preocupação humana; é por isso que ele influencia nos assuntos mais relevantes, interrompe as tarefas mais sérias e por vezes desorienta as cabeças mais geniais."


Então é isso, encerro um texto desses dias cinzas de verão onde o sol não faz mais efeito e o frio das almas é a única sensação latente na sociedade!










2 comentários:

Nata de Lima disse...

"paciência, esperança, fé, entre outras coisas" vem com o tempo... é só com mais idade, depois de viver tanta coisa que as coisas mudam na gente!

T.Fróes disse...

Antes de qualquer coisa, saudades, e não sei se já comentei, mas leio sempre o blog, é uma forma de estar perto já que a vida não tem permitido muito...
Li uma matéria ontem que me lembrou muito o seu texto...
http://revistatpm.uol.com.br/revista/101/reportagens/nao-sou-loser-baby.html
Apesar de ser quadradinha, já me sinto muito velhinha...e por vezes meio loser rsrs.

Baú da Magô