06 junho 2013

Sobre planos!

Quem viveu no final dos anos 80 e começo dos anos 90 pode confirmar isso que eu vou escrever, a odisseia catastrófica dos planos monetários. E foram muitos, eu mesma nasci na era do Cruzeiro, depois vi o Cruzado, o Cruzado Novo, voltou pro Cruzeiro, daí veio o Cruzeiro Real (o URV) e finalmente o Real como conhecemos. Inflação era uma palavra que aprendíamos a falar bem cedo, junto com Xuxa e Aids. Não foram tempos fáceis, quantas vezes madrugávamos a família toda em filas de postos de gasolina para abastecer a Variant amarela do meu pai.

As mães faziam estoques de alimentos, subia o açúcar, o café, o pão. As compras eram quase maratonas e as crianças eram ensinadas a não chorar quando algo lhes era negado, os tempos eram outros, contudo ninguém ensinou aos adultos que eles não podiam chorar quando viram suas suadas economias serem extorquidas em uma manobra financeira do governo,  muita gente pirou e até hoje conheço pessoas que não guardam dinheiro no banco por medo, resquícios de uma relação conturbada e incerta.

Os planos monetários eram a cada lançamento uma luz no fim do túnel, a moeda era frágil, quase como um recém-nascido, gente que não entendia nada de economia, após as entradas em rede nacional dos Ministros da Fazenda anunciando os novos planos, corriam imediatamente pra sua crença fazer oração, novena, trabalho, o que fosse, para garantir que o plano vingasse e prosperasse.

Me peguei pensando nisso esses dias, quando o assunto que me inquietava eram os planos. Fazer planos não é uma tarefa fácil, é quase uma arte. Você projeta coisas em terrenos inseguros, no futuro onde tudo é nebuloso e não concreto, por mais especialista em projetos, mesmo os mais experientes não estão livres de embarcar no tal do plano furado.

Sei que são coisas distintas, mas depois de um tempo você aprende que planos são quase que necessidades fisiológicas. São manifestações da nossa vontade de saber do futuro, de pisar em chão sólido. O que é o casamento senão um plano a longo prazo de uma vida a dois. Quando se sobe ao altar ou se assina um documento você não sabe realmente o que vai acontecer em cinco anos, mas aquela necessidade de estabilizar e o querer dar certo, nos confortam imensamente nesse vício que é fazer planos.

Entretanto os planos mudam...

É muito estranho você olhar para alguém que pensou ter uma família, uma casa, filhos, um cachorro... Pensou e até mesmo construiu coisas juntos, de repente se tornar um estranho no ninho. Alguém que não faz mais parte dos seus planos próximos. Ou mesmo depois de anos nutrindo uma relação, você cheia de planos percebe que são apenas eles que restaram, dói muito. Quando alguém morre um dos pensamentos que mais castigam é o pensamento que essa pessoa não fará mais parte dos seus planos.

Somos viciados em continuidades, em extensões, precisamos estabelecer laços e traços, e justamente os planos nos servem como invisíveis trilhas de tijolinhos amarelos que nos levam a felicidade plena da expectativa.

Quando a gente sai de um "Plano Collor" da vida, a gente pensa que fazer investimentos é algo arriscado, pois você pode ganhar, como você pode perder tudo... Mas assim como na economia, o amor tem suas altas e baixas e cabe ao investidor ficar atento ao mercado, uma hora ou outra as ações sobem, assim como a auto estima e com certeza os planos voltarão a ser feitos, palavra de quem havia dito que nunca mais faria planos com ninguém e hoje se pega em pensamentos escolhendo azulejos para a parede da cozinha, de uma casa que ainda não existe, mas em seus planos é o lugar que você já habita!

Planos não são promissórias, são apenas tentativas diárias de esperança em mundo que você tenha o controle!






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