15 julho 2013

Sobre zumbis e zumbidos!

Esta noite eu sonhei com zumbis, sonhei que eles estavam atrás de mim, e eu estava presa dentro de um supermercado, embora eu soubesse que estava segura dentro do local, supostamente trancado e com muito mantimento para eu sobreviver por algum tempo, no fundo eu sentia um pânico que poderia ser atingida ou pega por um daqueles seres moribundos a qualquer momento!

Eu acordei de madrugada, estava assustada, meus pensamentos ficaram confusos e a insônia não demorou muito a chegar. Madrugadas de domingo para segunda são assim, um martírio penoso que nos resgata do final de semana para darmos o ar de boas vindas ao batente. Só que desta vez minha rotina havia sido mudada, estava novamente em transe, mudando de fase, fazendo as malas, de mudança...Já era para eu me habituar a estar sempre "sem definição".

O sono não veio, vieram foram as preocupações com as contas a pagar, os trabalhos que deveria pegar, as pessoas que me cercam e me influenciam, o microondas que queimou,  essas coisas bestas que fazem tanto zumbido, daí me dei conta de quanta coisa eu ainda tinha que fazer, todas as pressões modernas de um transeunte. A casa, a empresa, o lazer, as obrigações, todas estes zumbis disfarçados de preocupação, me roubando meu sagrado sono e me acoando nos meus pensamentos.

A segunda chegou com a mesma intensidade do sol de inverno, que embora esteja presente e notável ainda era frio. Eu já estava de olhos abertos quando mais zumbis apareceram, mas estes eram reais e faziam muito barulho. Zumbis zumbindo as seis da manhã!

Eu tentei tomar café, mas não consegui ele não desceu, porque os zumbis estavam na mesa comigo, eles me perturbavam e deixam claro que estavam ali para ficar, pelo menos durante aquele dia mórbido. Eu tentei ser forte, tentei manter a lucidez, só que quando um zumbi aparece ele não deixa nada no lugar, tudo que ele toca morre e fede. Então eu tinha ali uma cena matinal de desgaste, de medo e de fedor.

E é engraçado como a gente se acostuma com o fedor, no começo incomoda, é quase incontrolável, chega a causar náuseas, entretanto se você é obrigado a conviver com o cheiro ou simplesmente prefere não se opor a o que causa aquele desconforto e vai levando como dá, empurrando com a barriga, quando você menos perceber o cheiro não te incomoda mais, sabe o motivo? Porque você se torna parte do cheiro e nem zumbis irão te perseguir mais, pois você será como um deles...Você terá a mesma rotina deles e estará morto, mas ainda se rastejando por aí, com seu iPhone, iPad, tendo sua TV como melhor aliadas, ouvindo conversa alheia, porque sua vidinha já estará definhado. É sua ausência de protagonismo te dando boas vindas e você se torna aquilo que mais critica, que no meu caso era o fato de estar me transformando em um zumbi.

Depois da transformação, sua vida (ou o que restou dela) fica fácil. Você vai dormir melhor e dormirá um sono profundo, não haverão mais pesadelos e insônias, sua rotina será sua base de sustentação e todo aquele cheiro ruim que te incomodava tanto agora é parte do que você representa, não são mais os zumbis que te incomodam, serão os vivos! Ah os vivos, com sua boca cheia de dentes, farão barulhos horrorosos, como sorrisos e gargalhadas. Além do vício de querer ser feliz a qualquer custo e perseguir os sonhos, isso definitivamente te arranhará os ossos. Malditos vivos que obrigam os zumbis a persegui-los como moscas que rodeiam uma lâmpada incandescente.

O pesadelo me soou como um alerta! Ufa! Eu ainda estou viva e ainda me incomodo muito com o fedor dos zumbis, por mais que eles me persigam fantasiados de obrigações, travestidos de afazeres, cheios de boa intenções com seus costumes e regras, por mais que eles ostentem por mim uma dependência, eu sinceramente os mantenho longe. Ainda prezo pela vida própria e por mais que seja difícil acreditar nas pessoas, e criar um sentido pra todo esse caos que vivemos, é muito melhor ser do que apenas existir!

Deixemos os mortos vivos somente para a ficção!





Um comentário:

João Pedro disse...

texto perfeito na hora certa. tava precisando ler isso. descobrir que não to sozinho, rs.

Baú da Magô